Programa Almeida Garret :”Viagens na minha terra”

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O programa de mobilidade Almeida Garrett oferece aos estudantes do ensino superior público a possibilidade de trilharem o seu percurso académico por diferentes calçadas de Portugal, ao abrigo de outra universidade.

Desde 2009, os estudantes podem realizar um período de estudos, estágios ou trabalhos de fim de curso numa outra universidade nacional, desde que as referidas atividades integrem o plano curricular do curso na faculdade de origem, com pleno reconhecimento académico. Os estudantes de 1.º ciclo só poderão efetuar a sua mobilidade a partir do 2.º ano e desde que disponham de, no mínimo, aprovação em 60 créditos ECTS;  No 2.º ciclo, a mobilidade só poderá ocorrer a partir do 2.º semestre do 1.º ano. Em ambos os casos,o período de estudos numa instituição parceira dura, no máximo, um semestre.

Os objetivos deste programa são ambiciosos e importantes: incentivar a cooperação entre instituições, reforçando a dimensão nacional do ensino superior. Por outro lado, promover a cidadania, competitividade e realização pessoal.

Mas como funciona na prática? De forma a divulgar e informar a comunidade académica sobre esta enriquecedora oportunidade, a Corino partilha o testemunho da Madalena Rangel, sextanista de Medicina em Coimbra que está a realizar o seu programa de mobilidade este ano no ICBAS.

Corino: Começando por um nível mais prático, como soubeste do programa? Quais os requisitos e duração máxima do período de mobilidade?

Madalena Rangel: Soube deste programa através do departamento de relações internacionais da minha Faculdade e através de sessões de esclarecimento organizadas pelo NEM AAC (Núcleo de Estudantes de Medicina de Coimbra). Em termos de requisitos, o que conta é apenas a média de curso. Existe um concurso, à semelhança do que acontece com a mobilidade Erasmus, em que se pode escolher três opções de entre as vagas existentes para a tua faculdade. Depois recebes o resultado através de uma lista seriada pela média. A duração mínima da mobilidade depende de faculdade para faculdade mas não pode exceder um semestre, ou seja, 30 ECTS.

C: Do ponto de vista pessoal, quais foram as tuas motivações? Quais as expectativas? Porquê o ICBAS?

MR: Penso que é sempre positivo conhecer novas realidades. Além disso, quando fazes uma mobilidade dentro do teu país consegues comparar melhor os vários métodos de ensino e perceber o funcionamento de diferentes sistemas hospitalares. Uma vez que este ano é essencialmente prático para mim, gostava de ter uma experiência diferente. Por outro lado, sendo o Centro Hospitalar do Porto bastante reconhecido, esta foi a minha primeira opção.

C: Após teres iniciado o programa: qual o rescaldo? Algumas das expectativas foram atingidas? O que podia ter corrido melhor?

MR: No geral o programa correspondeu às minhas expectativas. Talvez no acolhimento, teria sido importante uma separação entre os estudantes Erasmus e os Almeida Garrett, uma vez que muita da informação transmitida não estava direcionada para nós.

C: Sentiste grandes diferenças entre o ensino no Porto e Coimbra? E a vida académica? Como te acolheram – professores e colegas?

Existem algumas diferenças entre o ensino no Porto e em Coimbra, nomeadamente na organização da estrutura curricular e na componente prática. Além disso, existe uma maior liberdade no Porto no que diz respeito às opcionais, bem como uma maior mobilidade dentro de cada rotação, o que nos permite conhecer um maior número de hospitais/unidades de saúde.

Pelo que me tenho apercebido e pelo que me têm dito, a vida académica e as tradições são relativamente semelhantes no Porto e em Coimbra. A ideia que se tem sobre as pessoas do Norte – e em particular do Porto – corresponde totalmente à verdade: são extremamente acolhedoras e simpáticas e tanto colegas como os Professores me receberam bem. O que notei foi que a grande maioria não sabia que este programa existia.

C: Sentes que este programa aumenta a transparência no ensino em termos de avaliação? E como controlo de qualidade do próprio ensino?

No que diz respeito à avaliação penso que é relativamente independente de faculdade para faculdade e que não é algo fácil de uniformizar. O que posso fazer é uma comparação entre níveis de exigência que são mais elevados para algumas rotações/cadeiras em Coimbra e mais baixos no Porto e vice-versa mas que, mais uma vez, dependem totalmente dos professores regentes.

Já em relação ao controlo de qualidade do ensino, acho que este tipo de experiência é muito importante pois pode contribuir para uma maior homogeneidade no ensino da Medicina a nível nacional através da partilha de nova informação, métodos e formas de aprendizagem adquiridas.

C: Para terminar com o propósito desta entrevista: incentivarias alguém a fazer? Que conselhos darias?

Sim, sem dúvida que recomendo. Além disso, penso que este programa deveria ser mais divulgado e que deveriam ser criadas mais vagas (existem apenas 10 vagas para Porto e Lisboa no concurso de Coimbra).

 Os conselhos que dou são: planifiquem bem o que vão fazer no vosso plano de estudos e tentem contactar colegas que tenham realizado mobilidades semelhantes de modo a tirar o máximo proveito.

Inês Mendonça

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