Novo Plano de Estudos de Medicina Veterinária

Desde a última alteração em 2007, aquando da adequação para o Método de Bolonha, o Mestrado Integrado em Medicina Veterinária (MIMV) não voltou a sofrer uma reestruturação organizacional do ciclo de estudos, tendo apenas sido feito arranjos nos conteúdos programáticos das Unidades Curriculares. Com a constante evolução da profissão de Médico Veterinário, sente-se a necessidade de adaptar mais o curso de acordo com a realidade atual da profissão, juntamente com a aproximação da Avaliação da Agência Nacional da Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, A3ES (a ocorrer durante este ano letivo e o próximo), considerou-se ser a altura ideal de se propor à consideração uma proposta de reestruturação do ciclo de estudos.

Sendo atualmente a conversa de corredor dos estudantes de Medicina Veterinária, o ciclo de estudos do MIMV está em cima da mesa dos órgãos de Gestão do ICBAS com uma reestruturação (mais ou menos) intensiva. Contudo, poucos estudantes sabem o que realmente está a ser feito e o que poderá mudar. Em 10 minutos, sabe tudo sobre este assunto:

 

A proposta da Comissão Científica

 

            Apresentada no dia 4 de janeiro de 2015, numa sessão pública para o corpo docente do MIMV e para os representantes dos Estudantes (Comissão de Acompanhamento, Conselho Pedagógico e Associação de Estudantes), foi apresentada uma proposta de reestruturação elaborada pelo Conselho Científico.

            Em toda a proposta, pouco é referido os conteúdos programáticos de cada Unidade Curricular (UC), sendo apenas apresentada o esqueleto geral de organização das UCs, com indicação de algumas considerações de alterações realizadas. Desta proposta, poderei realçar os principais pontos:

  1. Criação da UC “Introdução à Medicina Veterinária” que “deverá ter como objetivo fundamental expor os estudantes à multivalência da atividade veterinária (…) não deixando, para melhor integração na realidade, de recorrer a colaborações tidas por necessárias com unidades e instituições exteriores.”;
  2. Criação da UC “Empreendorismo e Inovação” que possui como método o “culminar de um trabalho de projeto empresarial iniciado no final da unidade curricular de Economia e Gestão de Empresas (3º semestre). (…) os estudantes serão desafiados a desenvolvere, individualmente ou em grupo, um projeto de criação empresarial ao longo de 7 semestres (cumprindo “milestones” em datas especificadas), que serão apresentados e avaliados na UC de “Empreendedorismo e Inovação”;
  3. Fusão das UCs “Química Biológica I e II”;
  4. Fusão da UC “Citogenética Animal” com “Biologia Celular”;
  5. Fusão da UC “Anatomia Sistemática II” com as duas UCs “Fisiologia Geral” e “Fisiologia Veterinária”, formando duas UCs “Anatomofisiologia Animal” para “um estudo simultâneo de forma e função que permite uma perceção simultânea, de mais fácil apreensão e maior robustez de aprendizagem”;
  6. Fusão de “Microbiologia Geral” e “Microbiologia Veterinária”;
  7. Reorganização das Genéticas (Molecular e Melhoramento Animal), originando duas UCs: a “Genética Populacional e Molecular” e a “Melhoramento Animal”;
  8. Reorganização das UCs de “Anestesiologia” e “Semiologia Cirúrgica”, sendo criada duas UC’s de “Anestesia e técnicas operatórias” (uma dedicada aos animais de companhia e outra para espécies pecuárias e equinos);
  9. Junção da “Etologia” com a “Exognósia” numa única UC;
  10. Divisão da “Patologia Geral” em duas UCs, “de forma a permitir a aprendizagem dos mecanismos fisiopatológicos das doenças, base fundamental para a compreensão posterior das suas manifestações, diagnóstico e tratamento, seja a título individual, seja em intervenções de grupo/exploração”;
  11. Eliminação de uma UC de “Patologia Clínica de Espécies Pecuárias e Equinos”, dado que “o aumento das UCs de Patologia Geral permite a aprendizagem de muitos dos mecanismos de doença aí lecionados e ainda porque as matérias relacionadas com a produção em regime intensivo passam a estar incluídas na UC medicina das populações”;
  12. Criação da UC “Medicina de Populações” que “aborde de forma específica e com caráter prático o mundo da produção intensiva e as suas especificidades.”
  13. Aumento do estágio final para 2 semestres.

 

Numa perspectiva generalista, nota-se um aumento da importância de Produção Animal, sendo aumentados os ECTS destas 2 UCs, juntamente com a criação de uma nova UC de Medicina de Populações e a reformulação de duas UCs – Genética Populacional e Melhoramento Animal.

 

A participação dos Estudantes

 

Dado ter conhecimento do processo de reestruturação desde o início, AEICBAS, no ano letivo 2012/2013, criou o Grupo de Trabalho de Acompanhamento dos Planos de Estudos do MIMV (GTAPEVet) do ICBAS. Este grupo de trabalho, constituído por 3 a 5 estudantes, representantes de todas as Comissões de Curso do MIMV, “foi formado com o objetivo de haver um esforço conjunto dos estudantes de Medicina Veterinária, num grupo representativo de todos os anos do curso, para uma melhoria formativa do mesmo. Tem assim como objetivo:

  • Construir um parecer geral sobre o funcionamento atual das Unidades Curriculares do curso, servindo como base de orientação de trabalho para uma intervenção nos problemas existentes;
  • Emitir propostas de reestruturação do Plano de Estudos;
  • Acompanhar a reformulação do Plano de Estudos em execução pelo ICBAS.”

 

Assim, foram discutidos ao longo de quase 2 anos vários assuntos de interesse para o MIMV, culminando na construção de um extenso inquérito para os estudantes do MIMV do ICBAS sobre todas as UC do Ciclo de Estudos e outros assuntos gerais. Este inquérito foi respondido durante o 2º semestre do ano letivo 2013/2014, tendo como objetivo a obtenção da opinião dos Estudantes sobre o Ciclo de Estudos e de propostas de alterações.

Após esse período, o GTAPEVet tratou de todos os resultados obtidos, tendo construído um extenso documento de trabalho com o que se obteve sobre cada UC e uma apreciação geral de cada uma (com os seus problemas e apresentação de soluções). Este documento foi apresentado publicamente em Assembleia Geral de Estudantes, tendo sido enviado para todos os Estudantes, Professores e Órgãos de Gestão do ICBAS.

A Comissão de Acompanhamento do MIMV do ICBAS, Órgão de Gestão do curso constituído pela Diretora de Curso (Professora Paula Proença), um docente (Professora Ana Patrícia Sousa) e dois Estudantes (Joana Oliveira e Micael Costa), tem como objetivo o acompanhamento dos conteúdos transversais do Ciclo de Estudos ao longo dos anos, com a realização de reuniões para a construção de propostas de alteração de pontuais problemas do curso. Os representantes dos Estudantes foram os responsáveis pela coordenação de todo este trabalho.

 

A proposta dos Estudantes

 

No documento construído pelo GTAPEVet e Comissão de Acompanhamento, além das opiniões concretas acerca de cada UC e das suas alterações, foram propostas as seguintes alterações major na estrutura do Ciclo de Estudos:

  • Aumento do estágio para 9 a 12 meses;
  • Criação de “Atividades Complementares e Hospitalares”. “O que pretendemos com estas UC é um acompanhamento ao longo do curso do trabalho real do Médico Veterinário nas diferentes áreas profissionalizantes, sendo UCs semestrais de baixos ECTS”.
    • “No 1º ano seriam demonstradas as diferentes áreas do Médico Veterinário, baseado em pequenos estágios, por exemplo, um trabalho laboratorial de patologia, histologia, trabalhos de investigação existentes, visitas de estudos para demonstração de diferentes ambientes da profissão (explorações, aviculturas, matadouros, indústrias de transformação de carne, aquaculturas, etc).”
    • “No 2º ano, poderia haver um trabalho de campo de tratamento diário e maneio de animais existentes no ICBAS tanto no pólo central (cães e biotério) como também em Vairão (cavalos, bovinos, ovinos e caprinos). “
    • “Do 3º ao 5º ano, ocorreriam as atividades hospitalares, que consistiriam em acompanhamento do que ocorre em ambiente hospitalar (tanto de pequenos como de grandes animais).”
  • Criação de UCs Opcionais – “A justificação de estas UC baseia-se no gosto individual e orientação curricular de cada Estudante, de modo a aprofundar determinada/as área(s) profissionalizante(s), colmatando assim possíveis falhas em áreas/temas que não constam no plano curricular normal ou que são abordados muito superficialmente”. Estão incluídas também UCs da Universidade do Porto, em que “os Estudantes teriam a possibilidade de poder escolher uma UC de um outro curso da UP”. Questionamos também a possibilidade de estas UCs Opcionais serem apresentados apenas no último semestre do curso, sendo orientadas em bloco, ou seja, haver uma interligação e lógica entre as UC lecionadas nesse semestre.”
  • Relativamente aos métodos de avaliação, “referem como prejudicial a realização de um único exame para aprovação numa determinada UC. Sugerem a implementação da obrigatoriedade da realização de uma verdadeira avaliação distribuída (monografias, trabalhos, relatórios) com maior peso percentual na avaliação, juntamente com a divisão dos exames finais por 2 ou mais frequências distribuídas ao longo do semestre (eliminando a semana intercalar), para um maior e melhor acompanhamento das UC e, assim, uma melhor consolidação dos conteúdos. Consideram ainda “que as avaliações eliminatórias não contribuem para o sucesso na aquisição de conhecimentos. (…) este método não aumenta o conhecimento dos conteúdos das UC, servindo apenas para dificultar a sua aprovação. Sugerem que, no caso de reprovação numa componente numa determinada fase, deveria ser permitida a realização apenas dessa componente numa fase de recurso.”

 

            Em resposta à proposta construída pela Comissão Científica, o GTAPEVet apresenta as seguintes opiniões:

  • Consideram as “Atividades Complementares e Hospitalares” sugeridas e descritas no documento construído pelo GTAPEVet, como mais adequadas para a formação dos Estudantes;
  • Relativamente ao “Empreendorismo e Inovação”, o GTAPEVet considera que no 2º ano, os Estudantes possuem pouco conhecimento da realidade Médico-Veterinária, sendo difícil uma construção de uma ideia inovadora sem esse conhecimento. Consideram ainda que esta atitude empreendedora se trata de uma competência quase inata, não podendo exigir esta atitude a todos os Estudantes. Propõem, portanto, que o ICBAS promova “um concurso anual sobre empreendorismo, em que os Estudantes interessados poderiam desenvolver um projeto sobre a área (tal como acontece em relação à UP), havendo assim uma outra valorização curricular, como uma atividade extracurricular dos Estudantes”;
  • Referem também uma reorganização dos ECTS pelas áreas científicas, defendendo uma diminuição da importância dada às Ciências de Produção Animal, juntamente com uma maior igualdade entre o ensino de Animais de Companhia e Espécies Pecuárias e Equinos.

 

As etapas seguintes

 

Terminado o período de auscultação de propostas de alteração do Ciclo (a 3 de março), a Direção de Curso, com o auxílio da Comissão Científica e da Comissão de Acompanhamento, irão construir uma proposta final de reestruturação do MIMV. (Dado o GTAPEVet ter levantado diversas questões da proposta apresentada agora, foi pedido pelo GTAPEVet e a AEICBAS uma nova fase de discussão pública da proposta em que os Estudantes poderiam sugerir novas alterações, não estando ainda, contudo, confirmada essa possibilidade.) Esta proposta final deverá ser apresentada aos Órgãos de Gestão do ICBAS para a sua aprovação e pedido de eventuais pareceres. Caso esta seja aprovada, seguirá para a Reitoria da Universidade do Porto e outras entidades legais obrigatórias, que deverão também aprovar, finalizando numa divulgação pública legal da sua aprovação.

Finalizado esse período, será construído um plano de metodologia de introdução das alterações, havendo um período de transição entre as duas propostas.

Assim, não se prevê a data da alteração efetiva do curso, não sendo, garantidamente, realizada nos próximo dois anos letivos.

 

Para uma leitura e conhecimento dos documentos integrais, sugere-se a consulta do e-mail dinâmico pessoal (onde foram enviados estes documentos) ou contactar pelos seguintes e-mails:

micaeldcosta@gmail.com (Micael Costa)

jopedro.oliveira@gmail.com (Joana Oliveira)

ed.pedagogia@aeicbasup.pt (AEICBAS – Dep. Educação e Pedagogia).

 

Micael Costa

5º ano do MIMV