Muda de ares se não vives satisfeito

study

 

Leitores sagazes e companheiros da Corino,

Daqui fala quem recentemente começou a olhar de forma distante para a vida estudantil e relembra a sua evolução ao longo de consecutivas épocas de exame (ou loucura ou desespero, como quiserem denominar).

Fui incubada em vários locais da UP, durante cinco anos,  com destaque no ICBAS (novo e velho) e na FEUP… mas também na FMUP, FLUP, e-learning, FEP… e em boa verdade também posso nomear diversos outros lugares públicos como as Galerias Lumiére, Shopping Cidade do Porto e bibliotecas municipais (ATENÇÃO, os pavões encontrados no caminho para a Almeida Garrett podem ser agressivos). Podem estranhar, mas realmente, no último ano em particular, era na época de exames quando mais circulava: experimentava novos ares, quando possível acompanhada pelo café ou meia de leite que servia como pagamento à luz, água, internet e electricidade que eu consumia no local. A companhia era-me indiferente, mas apreciava ter um ruidinho de fundo de conversa alheia.

O que vos descrevi foi a última moda da minha vida. Antes, o mandatório para o estudo render era ser em grupo, não para discutir o que quer que fosse, mas só para sentir aquela solidariedade, aquele apoio mútuo silencioso e confirmação que não estava prestes a atingir o ponto de ebulição sozinha (ou será de condensação?). Num passado ainda mais longínquo (como o tempo passa…), não admitia pio que fosse durante as minhas maratonas de solidão e estudo, sempre acompanhada pelo chazinho, a minha abençoada razão para, de hora a hora, esticar as pernas.

Por isso, se te sentires encravado, dir-te-ia tal como o irmão do Hiro no Big Hero 6 disse: “Muda de perspectiva”. Neste caso, muda de contexto, de envolvente, quebra a rotina e vê se funciona…

Falta motivação? Sentes que não vale a pena o esforço, o papel despendido, os calos na mãos e os investimentos em canetas? Achas que a nota não interessa assim tanto? Bem, arriscar-me-ei a dizer que é semi-importante, diria que a partir de certo ponto se calhar começa a tornar-se indiferente… provas? Nã tenho! Isto é um feeling que tenho… Claro está, isto não se aplica caso estejas a apontar para ganhar um daqueles prémios de mérito anuais! Se assim for, chispa daqui para fora, vá! Agora.

Ah, não podia esquecer de outro caso. Queres doutoramento? Financiado? Atenção que a nota tem peso nessa arena que é arrecadar uma bolsa, em que ao mínimo pretexto se libertam os leões para reduzir o número de candidatos.

Neste momento ainda podes colocar a questão: “Provavelmente 80% do que estudo nunca mais me passará a cabeça após o exame”. Mas quais são esses 80%? Não sabes. No futuro, chegará(ão) a(s) altura(s) em que poderás pensar: “Hm acho que fiz algo assim há uns anos… como é que era mesmo?”. Mas para te aperceberes disso precisas de ter sabido e compreendido a certa altura no passado. E para ti, esse momento é agora.

Uma alumna MIB,
Sofia Assis