Make the World Great (Again)?

As redes sociais não podiam estar mais caóticas: todos declaram a morte iminente da América e do Mundo, tal qual os conhecemos. Sim, é verdade! Donald Trump ganhou a corrida e passou a ser um dos homens mais poderosos do Mundo. O partido republicano passa agora a controlar os três grandes órgãos governamentais dos Estados Unidos da América: a Casa Branca, o Senado e a House of Representatives.

A campanha para as eleições presidenciais de 2016 nos EUA será sempre lembrada como fraturante na tradição americana: um candidato republicano renegado por muitas das mais importantes figuras do seu próprio partido, a intervenção do FBI e a desconfiança criada em torno da campanha de Hillary Clinton, o apoio sem precedentes das mais importantes figuras públicas e da imprensa americana e internacional à candidata democrata, e a honestidade desmedida e quase desumana de Donald Trump.

O planeta ficou em choque! Depois de uma longa campanha, marcada pela polémica e pela ausência de um debate profundo acerca de políticas concretas, tudo fazia prever que Hillary Clinton seria eleita a primeira mulher presidente de uma das maiores economias mundiais, mas a América decidiu que não. A mesma América que em 2008 elegeu o primeiro presidente negro da sua história e o reelegeu em 2012, o mesmo país que se formou e cresceu tendo por base grandes fluxos migratórios, a nação líder na mudança de políticas e criação de legislação para a igualdade da sociedade.

Esta eleição representa a grande rutura de paradigma na visão do povo americano sobre os candidatos. A escolha de Trump, uma figura anti-sistema político, um candidato centrado nos seus próprios ideais e valores, congregador efusivo de multidões sedentas de mudança de um sistema desacreditado e sem histórico ou experiência na tradicional carreira política, em detrimento de Clinton, uma imagem tradicional de um político de carreira e intrinsecamente ligado ao sistema vigente. Resumindo: a América deparou-se por um lado com um candidato com uma visão de mudança para o futuro do país e por outro com uma candidata desenhada para responder ao que o seu partido acreditava que o país precisa. Tudo isto numa análise vazia de conteúdo: ganhou a aparente e fria honestidade.

E agora o Mundo: será que existirá a audácia de, pela primeira vez em décadas, se questionar a dominância americana nas grandes decisões mundiais e no exemplo de valores de sociedade? No clima de incerteza atual, o descrédito mundial poderá focar-se, não em Trump, mas no povo americano e na sua capacidade de juízo.

Existe agora abertura para outros países se erguerem como modelo a seguir e a oportunidade da união dos países europeus, em pleno coping do Brexit, se afirmarem como novo paradigma mundial a seguir, recuperando o domínio perdido. Será esta a solução possível (mas pouco provável) to Make the World Great (Again)?

Um governo é o reflexo do povo que o elege. É Trump a representação da América de hoje? Representará, esta eleição, a mudança de um paradigma à escala global?


Texto por: João Silva Nunes