Investigação made in ICBAS: medição dos níveis de iodo em Estudantes do MIM 13-19

Se alguma vez te pediram frascos de urina semestrais durante o teu curso e ficaste sem perceber bem o assunto ou se nem sequer recebeste um convite, não te preocupes: a equipa da Corino investigou tudo por ti!

Esta semana entrevistamos a Ana Rita Moura e a Alexandra Lagarto, do 2º ano do Mestrado Integrado em Medicina, sobre o estudo que estão a realizar em conjunto com o laboratório de Hidrologia,sob a orientação do Dr André Carvalho e o Professor Doutor Adriano Bordalo. O convite surgiu a partir deste último, numa aula teórica de Ecologia. Entre o grupo de alunos que assistia, só a Alexandra e a Rita agarraram a oportunidade e hoje agradecem e reconhecem o valor desta iniciativa – de facto, nas suas próprias palavras, ” foi uma oportunidade única (…) não há muitos professores dispostos a perder tanto tempo com os alunos para investigação”.

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O iodo!

Em que consiste o projeto?

Alexandra Lagarto (AL): O projeto consiste na medição dos níveis de iodo em cerca de 50 pessoas voluntárias do MIM do ICBAS, que tenham ingressado em 2013. O nosso objetivo é seguir essas pessoas durante todo o curso, medindo os seus níveis de iodo uma vez por semestre. Essa medição é feita pela urina e compete-nos recolhe-las, analisá-las e posteriormente tratar e interpretar os resultados.

Foi fácil recrutar voluntários?

AL: Houve sempre 2 tipos de pessoas: aquelas que aceitavam prontamente e sem problemas e aquelas que se recusavam prontamente. Uma vez que o 2.º grupo era mais numeroso quase que andamos a implorar voluntários! Entretanto divulgamos os resultados das primeiras análises, o entusiasmo cresceu e chegamos a ter novos voluntários. Foi mesmo gratificante!

Mas, afinal, porquê iodo?

Ana Rita Moura (ARM): Quanto ao iodo, sabe-se que na gestação é importante para a formação e desenvolvimento do sistema nervoso do feto. É também fundamental para o metabolismo celular e para a síntese de hormonas tiroideias. O seu défice acentuado pode provocar bócio, ou seja, dilatação da tiróide na tentativa de que o pouco iodo presente no organismo seja captado. Em Portugal, estudos conduzidos em 2008 e 2009 provaram que a população grávida apresentava défice de iodo, enquanto a população infantil em idade escolar apresentava um nível no limiar entre o défice e o saudável. Para além disso, apenas no ano passado foi criada uma regulamentação acerca da suplementação de iodo durante a gravidez. A meu ver, esta é uma área que vale a pena estudar na população portuguesa, sobretudo porque a deficiência em iodo é algo passível de ser combatido sem recurso a fármacos, cirurgias e sem grandes despesas, desde que se tenha a possibilidade de informar a população e promover a prevenção.AL: Tal como a Rita disse, só existem estudos em Portugal acerca dos níveis de iodo em grávidas e crianças e, como tal, este estudo é pioneiro na área, tornando-se bastante relevante.

Como conciliam esta investigação com os estudos?

AL: A prioridade é o curso, mas o estudo tem uma enorme vantagem: depois de recolher as amostras, fazemos apenas um teste rápido e congelámos. Assim, a análise dos níveis de iodo pode ser feita quando quisermos portanto, no período letivo, gastámos pouco tempo. Ainda só análisamos uma leva de amostras e essa ocupou-nos uma semana em julho, no final dos exames.

O que vos levou a fazer parte deste projeto? Imaginam-se a acabar o curso e a optar por uma vertente de investigação?

ARM: O estudo mostrou-se apelativo para mim pelo facto de podermos constatar e divulgar junto da população que uma alteração tão simples como a alimentação pode beneficiar a saúde de uma pessoa, dispensando assim a necessidade de uma intervenção médica. Além disso, apesar do projeto não envolver lidar com doentes em ambiente clínico, permite estudar um parâmetro fisiológico, se assim o quisermos chamar, que é facilmente corrigível. Gostava de seguir uma área mais clínica, sim, mas acho que ter alguma experiência em trabalhos de investigação é sempre bom, porque desenvolvemos outras capacidades de trabalho.AL: Este projeto é uma maneira de estar envolvida com pessoas desde o início do curso e de fomentar, desde logo, a parte humana e, obviamente, uma forma de estarmos também já ligadas à investigação. Apesar de, por vezes, ser cansativo – sobretudo em época de recolha de amostras – toda a experiência é muito recompensadora.  Pessoalmente, penso que se tiver que optar, prefiro o contacto com as pessoas em ambiente clínico em detrimento da investigação mas, se me for possível, tentarei conjugar ambos!

 Obrigada por terem aceite esta entrevista e assim contribuírem para a Corino. Têm algo a acrescentar?

Queremos deixar um agradecimento ao Professor Adriano A. Bordalo, ao Dr. André Carvalho, à dona Lurdes e à dona Fernanda e, em geral, a todo o pessoal do laboratório de Hidrobiologia, que tão bem nos acolheu

Vale ainda a pena mencionar que as nossas colegas irão ter um poster no Congresso Português de Endocrinologia 2015 e na 66ª Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo. Não podemos deixar de as congratular por participarem neste belo exemplo de Ciência e Pedagogia do nosso Instituto. Parabéns!

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Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo

Beatriz Neves