Erasmus em Roma, experiência de CMA

Lá em casa sempre se falou em ir de Erasmus quando se chegasse à universidade. Desde a opinião de uma prima que foi para a Lituânia, até ao apoio que os meus pais davam quando este assunto surgia nas nossas conversas, o Erasmus foi sempre tratado como algo de caráter muito positivo. Falava-se em sair de casa, viver noutro país, experimentar outras culturas e outras realidades, e a minha prima lá atirava o comentário de que eram só festas, mas em geral, que ia ser fantástico. Agora que regressei a casa, depois de ter vivido em Roma durante seis meses ao longo do ano passado, posso confirmar na primeira pessoa que se tratou de uma experiência de vida realmente incrível e inesquecível.

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Basílica de Santo André do Vale

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Coliseu (interior)

Para um curso como CMA, a escolha de universidades estrangeiras é escassa e acabo a batalhar-me em ir para Vigo ou para Roma, apesar de no fundo a escolha já estar feita. Passados uns meses embarco num avião com Roma como destino e começo uma das melhores experiências da minha vida. Aterrar numa cidade grande e completamente nova como Roma foi bastante assustador. Estava praticamente sozinho e tinha de ser eu a tratar de tudo, tal como escolher uma casa para morar ou tratar de uma imensidão de papéis da universidade. Até as tarefas mais básicas como ir às compras acabavam por ser um pouco estranhas. Confesso que demorei um pouco a habituar-me e a perceber, por exemplo, quais os melhores supermercados para comprar certos produtos. Passadas algumas semanas já começava a conhecer melhor a cidade, já sabia que autocarros apanhar para o centro e aprendi a nunca confiar muitos nos horários dos transportes públicos. No meio de todo este caos fui conhecendo imensos estudantes Erasmus e acabei por conseguir formar um grupo que passou basicamente a ser a minha família: íamos sair imensas vezes e estávamos sempre juntos; mas ainda assim houve imensos momentos em que me senti bastante sozinho, porque não estava de modo algum habituado a morar sem os meus pais.

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Coliseu

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Rio Tibre e Castelo de Santo Ângelo

Num intercâmbio assim, os estudos acabam muitas vezes por cair para segundo plano quando aquilo que se torna importante é viver tudo ao máximo… tal como tentar ir a todas as festas e visitar um número infinito de igrejas e museus e palácios incríveis, que se encontram espalhados até pelas mais pequenas vielas romanas.

O contacto com novas culturas deu-me a conhecer outras formas de viver e resolver situações comuns… formas de que eu jamais me lembraria, ou aprovaria!  Estava em Roma e passei a ser romano! Deixei de, por exemplo, respeitar o conceito de fila, habituei-me a regatear guarda-chuvas com vendedores de rua e a acordar do outro lado da cidade ao adormecer no autocarro depois de uma festa. Comparar como lá se faz e como eu fazia, ver a diferença e escolher soluções diferentes do que estava habituado, amadurece, sem dúvida: abre horizontes! E mais do que isso, os laços criam-se, as pessoas que eram de longe ficam connosco, na memória, e todas as desculpas são excelentes razões para nos revermos e viajarmos novamente!

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Vaticano –  Basílica de São Pedro

Acima de tudo, quando voltamos, somos pessoas completamente diferentes. O contacto com diversas culturas, novas experiências e viver sozinho, mesmo que não seja pela primeira vez, torna os estudantes Erasmus mais cultos e adultos, mais cientes de si e daquilo que os rodeia, e de todas as novas possibilidades com que antes nem sonhavam. Voltamos, e ficamos insatisfeitos com a realidade que nos abraça em casa, estamos mais evoluídos, diferentes, há uma maior ânsia de explorar e conhecer novas situações e contextos. Ficamos desorientados com a sensação de limitação que a pequenez da nossa terra nos traz e agora ansiamos por conquistar os novos horizontes que antes nem sequer vislumbrávamos!

Teófilo Morim