Da garraiada académica

Aproxima-se mais uma Queima das Fitas do Porto, e com ela levanta-se uma vez mais a discussão relativamente à Garraiada Académica, que se realiza no último dia desta semana de festa para os estudantes da Academia do Porto.

Em 2014, a AEICBAS criou uma moção em que se declarava “veementemente contra a existência e realização da Garraiada Académica”. Além de ser uma atividade que vai contra os princípios de bem-estar dos animais, vai contra “ideais de ciência, tolerância, promoção da vida, abertura e progresso que são tão característicos da Universidade como Instituição promotora de um ensino superior”, também expresso nesta moção. No entanto, a moção não chegou a ser discutida em Assembleia Geral (AG) da Federação Académica do Porto (FAP), pelo que a garraiada correu tal como planeado inicialmente.

Este ano, o assunto foi discutido em AG da FAP, tendo sido a garraiada aprovada com 13 votos a favor, contra as 12 Associações de Estudantes que não aprovam a realização desta atividade. Após esta decisão, rapidamente surgiu uma petição online contra a realização da Garraiada Académica, iniciada por estudantes que não tinham sido abordados quanto ao tema em AG da sua faculdade, e que conta com mais de 2000 assinaturas até hoje.

Em pleno século XXI, está cientificamente comprovado que submeter estes jovens touros a situações como esta, em que são obrigados a defender-se de estudantes que os perseguem, geram stress e mal-estar para estes animais. A Queima das Fitas envolve um ambiente de divertimento e festa para os estudantes, de celebração do início, meio ou fim de uma etapa da vida e que não se pode basear em argumentos como “tradição deve ser seguida” para sustentar uma atividade que não respeita, nem dignifica, de todo, o animal envolvido, bem como não dignifica o estudante.

 

Rita Maruco

 

Assim, apelo-vos a que ponderem a vossa posição e expressem a vossa opinião de forma consciente e informada.