Crises para além da crise

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Há pouco mais de dois anos, envolvi-me no projeto dos intercâmbios de medicina e a minha visão do mundo mudou. Apercebi-me da existência de mundos para além do mundo e crises para além da crise. Apercebi-me que uma tentativa de furto era perigosa para mim, mas que para outras pessoas o perigo diário a que estavam expostas era encostarem-lhes uma metralhadora à cabeça. Tive a oportunidade de privar com Israelitas e Palestinianos, em simultâneo, de os ver conviver irmãmente na altura em que o conflito israelo-árabe estava mais aceso, de perceber que ambos repudiavam a luta que não era deles. Fiquei chocado com o mundo, o mundo que existe além-mundo. Com o tempo, estas memórias foram-se arquivando numa gaveta poeirenta da minha mente até ao início deste ano.

Em 2015, a AMI faz 30 anos de existência. Para celebrar a efeméride, os repórteres Luís Pedro Nunes e Alfredo Cunha, lançaram-se no projeto “AMI – Três Décadas de Esperança” e visitaram ao longo do ano missões da AMI em Portugal e no Mundo. Dessas visitas, resultaram diversas reportagens, com o texto de Luís Pedro Nunes e fotografias de Alfredo Cunha, que foram sendo publicadas nos media nacionais (mais informação aqui e ali). Fui acompanhando essas reportagens e, mais uma vez, senti que há mundos para além do mundo e que sou um privilegiado por lutar diariamente para sair da cama enquanto outros lutam para sobreviver. Este projeto vai culminar com o lançamento de um livro de fotografia a preto e branco com os relatos de Luís Pedro Nunes e uma exposição. Esta será instalada no Espaço Mira em Campanhã, na cidade Invicta, e será inaugurada em conjunto pelos autores e o presidente da AMI, Dr. Fernando Nobre, no dia 14 de novembro, às 16 horas. Haverá outra cerimónia de lançamento do livro no dia 18 de novembro pelas 18 horas na Fnac de Santa Catarina. Apareçam!

Até lá, deixo-vos com um excerto do prefácio para vos aliciar a refletir e a comparecerem na cerimónia: «É também espelho da sensibilidade e humanismo que sempre nortearam esta instituição, como também deverá ser a prova do amor humano que a AMI tentou partilhar na construção de um mundo mais fraterno, mais ético, mais equitativo, menos violento e mais harmonioso, lutando sempre com afinco e determinação contra a intolerância e a indiferença, as duas doenças mais graves da humanidade, que sempre alimentaram e alimentam, sustentaram e sustentam, os quatro cavaleiros do Apocalipse, que de novo galopam livremente em vastas regiões do nosso planeta.»

Alberto Ribas