Chá

Uma chávena de chá jaz no parapeito.

Puxo de um cigarro que acendo com um lume que teima em apagar. O fumo do tabaco sobe lentamente, numa dança com o vapor do chá; o seu intoxicante odor combina-se com o delicado aroma do Earl Grey.

Olho pela janela. Contemplo o horizonte embebido na escassa luz do sol que escapa por entre as nuvens. A dança entre o fumo e vapor cessa quase instantaneamente, perdendo-se os dois na imensidão da paisagem.

Fecho os olhos. Dou uma longa passa no cigarro e a tua imagem surge me na memória. Não consigo precisar se será uma tormenta ou uma bênção esta figura que surge diante dos meus olhos cerrados.

Que fazes tu perante mim?

Que procuras tu?

Coloco questões (talvez retóricas), contudo ignoro as respostas. Não que me as dês. Também não as quero. A ignorância permite me uma quase felicidade.

No entanto, não passa de uma mentira, uma premissa falsa da qual me tento convencer… Não sou capaz de me dissociar da derradeira questão: o que fiz eu de errado? Essa permanece, flutua na minha mente como o fumo do cigarro no horizonte.

Dou um golo do quente chá, na esperança que esse me aqueça o coração…


Texto por: Eduardo Gomes

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