Cara Sra. Raríssimas, não me esqueci de si!

notas soltas

Cara Sra. Raríssimas

Como é raro encontrar quem apregoa carregar uma bolsa de valores e, na realidade, abraça a dualidade com que a lingua madre abençoa a palavra e no lodo da desgraça alheia ergue uma mina de ouro.

A ambição foi tolhendo multidões ao longo da história, mas muitos houve que não se vergaram e assim foram elevados ao que eu chamo o “grupo dos raros”. A senhora, certamente, começou erguendo todo um império para os milhares de Marcos que existem na nossa pátria… Mas, o que é de um império sem os que imperam? Sem os poderosos? Pois bem, não quis deixar tão doirado pedaço de céu aos discípulos de S. Pedro, ele que, tal como a senhora, carrega as chaves do Paraíso. Santa de pau oco!

Não, não somos todos iguais e ainda bem! Odiaria portar tão judiosa patologia, esta sim, rara! Diria que a coluna vertebral que a sustenta é disforme e que, até onde sei, só ela nos permite sustentar todo o nosso ser. Talvez seja genética ou IST. Felizmente, Marco não a portou! Nem a Raríssimas valerá a César I – “O herdeiro da parada” e ao seu conjugue, eles que se misturaram com uma pulha e que, agora, se tentam distinguir dela sem sucesso! E definido que não somos todos iguais e que dividida está a meia dúzia de biliões de seres humanos, aconselho-a a seguir o seu conselho, aquele que frisava a ponte Vasco da Gama. Pedimos desculpa, mas tamanha podridão não a permite viver por entre o grupo dos raros.

Acusou Marcelo de vulgarizar a sua posição, só que esqueceu a função presidencial mais importante: representar o povo português. Só que, a minha cara, lá julgou, não por intento, que todos eramos ricos e poderosos e que não cabe ao Presidente desta República representar os pobres e os que vão dançando na classe média.

Podemos extrapolar o mesmo exercício para o seu saudoso cargo. Cabia-lhe representar uma instituição de solidariedade, mas talvez um vestido de um preço razoável, umas sardinhas ou um Opel Corsa não fossem suficientes, para quem recebe em sua casa presidentes, ministros e até rainhas! Um carro exorbitante, vestidos de luxo e gambas são alguns dos pilares, custosamente edificados à custa dos parvos que dão dinheiro à porta dos supermercados e dos encargos do estado desta nação, deixando-a num estado ainda pior, que sustentam os luxos de Vossa Excelência!

Tenha paciência Sra. Raríssima, esta carta não se estenderá. O tempo para escrever é escasso e valores mais altos se erguem, não é verdade?

Votos de um par de anos na cadeia.

Ricardo Nogueira

 

P.S.: Perdoe-me estas curtas palavras… Só gostaria que soubesse que não me esqueci.