+BIO #10: Uma Ordem em constante Evolução (II)

Nesta edição, trazemos-vos uma reflexão sobre o reconhecimento do estatuto de Bioengenheiro e a criação de novos Colégios na Ordem dos Engenheiros.
Abaixo, encontra-se a segunda parte do artigo sendo que poderão ler a primeira parte no site do NEB-FEUP/ICBAS.

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Porquê a criação de novos Colégios de Engenharia na Ordem? Em primeiro lugar, porque, consoante as necessidades e a evolução da sociedade, a necessidade de engenheiros em diversas áreas cada vez mais é diversificada e multidisciplinar, mas, ao mesmo, tempo muito específica. Depois, porque, uma vez que fazer parte da ordem dá uma maior credibilidade ao profissional, é normal este se queira sentir inserido num Colégio com o qual se identifique. Falo por exemplo no ramo de Engenharia Biomédica, cuja atividade profissional se estende desde a investigação e desenvolvimento académicos, até à consultoria e à industria farmacêutica. O recrutamento de Engenheiros Biomédicos tem sido cada vez mais um tema em voga para as empresas da área da saúde e, apesar de só agora estar em ascensão, para os hospitais, quer no âmbito da gestão hospitalar quer no desenvolvimento de novas técnicas médicas de diagnóstico e de telemedicina. Tendo em conta estas atividades profissionais, já não faz muito sentido para o Engenheiro Biomédico estar inserido no Colégio de Engenharia Química e Biológica, como tem sido frequente. É, portanto, necessária a criação de um Colégio que englobe e que una os profissionais que desempenham estas tarefas de Engenharia Biomédica.

Um caso ainda mais complexo, será, porventura, o dos profissionais de Biotecnologia Molecular, um ramo que, apesar de estar maioritariamente focado na vertente de investigação mais pura, tem, nos últimos anos ganho terreno na engenharia de tecidos e de materiais, conhecimento esse que é muito utilizado por Engenheiros Biomédicos no desenvolvimento de tecnologias que tenham como requisito biocompatibilidade.

Tendo isto em conta, a minha opinião é que para estas duas áreas de especialização de Bioengenharia, a criação de mais um Colégio é necessário e suficiente. Poderia ser, por exemplo, o Colégio de Engenharia de Saúde (citando uma vez mais o atual Bastonário), que depois se poderia dividir em algumas especialidades consoante o foco e local de trabalho destes Engenheiros. Fica aqui o desafio!