Almeida Garret na Nova

Alguma vez pensaste em fazer Erasmus? Quase de certeza que já!
E que tal passear um pouco na mesma e conhecer o teu curso noutra faculdade, mas no teu próprio país? O Programa Almeida Garret permite-te fazer exactamente isso!
A estudante Inês Mendonça, do 4º ano de MIM, passou o primeiro semestre na Nova Medical School, ao âmbito deste projecto e conta-nos a sua experiência.
Esperemos abrir-te a curiosidade e elucidar-te um pouco.

Imagem2“Ah, estudas no Porto! És da FMUP ou da outra?”

“Da outra” (resposta acompanhada por um discreto revirar de olhos).

“Ah! Deixa lá, aqui também somos ‘a outra’!” (resposta acompanhada por um sorriso expansivo). E são.

A Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa é a “outra” de Lisboa e todos sabemos que “a outra” tem as suas vantagens, de outra forma não teria surgido. Em vez de um Abel Salazar, há um Tomás Sousa Martins a incendiar de orgulho os corações dos estudantes de Sant’ana. O “Santo do Povo” não fez milagres mas tinha um coração que é quase um milagre encontrar e por isso há peregrinações diárias à sua estátua (mesmo em frente à faculdade), que nos inspiram e relembram porque estudamos nós.

Não vou falar da vida cultural, da beleza, da imensidão ou do clima da nossa agitada capital (que vocês conseguem depreender a partir dos tópicos da minha descarada mentira) pois essas são regalias de qualquer mobilidade. Por outro lado, aqui a incontestável máxima “no estrangeiro é que é bom” não se aplica de todo! It will always be Porto first (Lisbon second, just maybe).Mas passando ao que interessa: a Nova Medical School (vejam só como tentam passar por estrangeiros!) tem três pontos que achei muito positivos:

  • Organização dos alunos! Fiquei inspirada por um verdadeiro espírito de entreajuda. Não se trata de estes colegas terem herdado o coração do Sousa Martins (alguns sim) mas de uma organização tal que torna a entreajuda muito eficiente. Há comissões de curso com vários “responsáveis de turma” e comissões de sebentas. Dois alunos de cada vez ficam responsáveis por uma desgravada (um faz e outro revê). No fim, temos uma sebenta organizada e muitas vezes já com o conteúdo e imagens dos slides de cada aula. Apesar de rodarmos por serviços de hospitais diferentes, todo o material é disponibilizado rapidamente. Por fim, é de elogiar a eficaz comunicação entre professores, serviços académicos e alunos responsá
  • O famoso ratio tutor/estudante é uma realidade. Dentro de cada “grande turma” (cerca de 50 alunos), vamos fazendo rotações pelos serviços com cerca de 8 colegas (que também vão variando e acabamos por conhecer muita gente porreira). Em cada rotação acompanhamos um médico nas várias atividades que eles têm calendarizadas para nós e no máximo estamos 3/1. Eu estive várias vezes só com um mé Isto ajuda muito nas consultas, no exame físico, na explicação de exames complementares e nas cirurgias (pude assistir a muitas!).
  • Prática e aprendizagem: com base na minha curta experiência, achei a maioria dos professores disponível e os serviços bem organizados para nos receber (com atividades e aulas para cada dia). As próprias aulas teóricas denotavam ser atualizadas e preparadas. Em quase todas as rotações há avaliação no final destas mas penso que tal seja uma mais-valia para irmos estudando ao longo da semana e depois ser mais fácil no exame final.

O sistema por rotações tem os seus defeitos: algumas rotações são demasiado curtas para o que se devia aprender e não foge à incontornável variabilidade entre professores. Por outro lado, uma das vantagens do ensino modular não pôde ser aproveitada: acabamos por ter de repetir especialidades porque não nos foi permitido fazer só algumas. Se isso se justificasse por uma grande integração entre módulos/especialidades ainda se compreendia, mas não foi o que aconteceu (por exemplo no exame). Depois, as aulas práticas podem ser em hospitais muito longe do centro (Vila Franca de Xira ou Francisco Xavier), apesar de no geral eles ficarem perto uns dos outros.

A Nova já adotou o sistema MedQuizz para avaliação (exame final no computador com direito a imagens e exames laboratoriais pelo meio). Este ainda tem algo a melhorar, principalmente na parte da revisão de prova e seus custos (sim, custos!)
Usando a técnica da sanduíche, vou então terminar com os últimos tópicos elogiosos: multiculturalidade e pioneirismo. A Imagem1maior diversidade de etnias, culturas e grupos sociais permite conhecer outras formas de abordar os doentes e outras realidades. A vanguarda da qual uma capital inevitavelmente é dotada permite um acesso em primeira mão a palestras, congressos, festivais e espetáculos do nosso interesse.

Cheira bem? (a Amália já vos ensinou o resto…) Desejo uma boa mobilidade aos próximos e desafio-vos a trazer uma história melhor que a do vosso tutor de cirurgia vascular a tocar Franz Ferdinand na guitarra elétrica no festival de tunas (e ainda outro êxito chamado – “Beber Cerveja faz Arrotar” com a musicalidade de “Video killed the Radio star”).