A Corino chora contigo!

«Com os avanços que têm existido nos campos das Ciências da Saúde e da Medicina, esta última tem vindo a tornar-se cada vez mais científica. Desumanizada, até (ou pelo menos alguns di-lo-iam). Agora, parece, opera preferencialmente por meios técnicos, criando uma visão impessoal do doente. Esta conceção bio-engenharística do corpo humano e uma sectorialização ultra-especialista da prática de Medicina permitem-nos comparar o corpo humano a uma máquina, na medida em que se limita a analisar apenas o seu funcionamento, dividindo-o, quase, em “peças”.»

O excerto acima foi retirado de um texto escrito por mim no meu primeiro ano de faculdade, no meio das típicas cadeiras puramente teóricas que desanimam qualquer um. Vinha acompanhado de questões sobre a viabilidade desta visão impessoal daquilo que estudamos e praticamos e de dúvidas acerca do que isso significaria para mim enquanto futura médica. Nesta altura, nasceu também uma vontade de mudança de paradigma, tanto a nível pessoal como “profissional” (se assim quisermos entender a minha vida enquanto estudante). Nasceu a vontade de ser e fazer mais, de não me limitar ao estudo da Medicina, e de continuar com a mesma ânsia de mudança e disponibilidade para evoluir a todos os níveis ao longo da minha vida.

Fiz muito (e cresci muito) nos últimos três anos, desde que escrevi estas palavras, e cada vez mais a nossa (tão cliché) máxima de que “o médico que só sabe Medicina, nem Medicina sabe” tem mais significado.

Posto isto, o ano está a acabar e, com a chegada de um novo, chega também mais uma saga de avaliações. Desta forma, venho, em meu nome e em nome da Corino, desejar-vos toda a sorte do mundo e dizer-vos que procurem sempre ser e fazer mais. Não deixem escapar o que vos trouxe até aqui e não baixem os braços nesta que é (para todos) uma época difícil.

Falem, queixem-se, estudem, durmam pouco, consumam muito café e, acima de tudo, aprendam. Aprendam a cada passo que dão e, no fim de tudo, vejam o doente como um todo e a Medicina enquanto mais do que ciência, por tudo aquilo que ela é: uma arte (está lá, acreditem, por trás de toda a anatomia, de toda a fármaco e, até, de toda a química e biofísica).

E para aqueles dos outros cursos: isto é para vocês também!

A biblioteca vai estar aberta durante a noite e é sempre possível entrar no ICBAS (nem que seja pela quantidade exorbitante de varandas). Se procurarem um pouco, vão certamente encontrar alguém que vos dê um abraço e uma conversa de motivação, ou, para quem não é dessas coisas, alguém que vos mande parar de ser bebés e vos indique o caminho de volta para onde estão as vossas coisas. Caso nenhuma destas opções resulte, podem sempre aproveitar o “Desabafando com a Corino”, que funciona a todas as horas do dia, todos os dias da semana (e não fecha para férias).

Não se esqueçam: cada resposta certa é uma vitória e vocês já são, desde o início, vencedores!

Boa sorte, vai acabar num instantinho!


Votos de um Bom Natal e de uma boa entrada no ano que se avizinha,
Maria Ana Alzamora