5 Dicas para O Estudante de Veterinária Sobreviver à Época de Exames

Achas que é desta que fritas completamente?
O tempo não chega nem nunca vai chegar mesmo que faças diretas todas as noites até Fevereiro de 2017?
Estás a considerar implantes de cafeína e Red Bull já há várias semanas?
Antes de medidas desesperadas nestes tempos de desespero, lê os conselhos que a Corino te deixa abaixo e pensa melhor:


1 – Os teus amigos são teus amigos

Ninguém te compreende, não é?
Os teus amigos não compreendem como é que tens 7 ou mais exames porque quase todas as cadeiras têm exames práticos e teóricos. A tua família questiona-se sempre porque é que não estás a ver o filme de Natal com eles, quando o teu primo que também anda na faculdade já passou a 2 cadeiras…
Mas não estás sozinho. Os teus colegas compreendem o que estás a passar, porque estamos todos no mesmo barco, e ninguém vai ao fundo quando todos estão a remar para o mesmo lado.
Pede-lhes ajuda, revolta-te com eles, faz noitadas com eles, combina almoços para partilharem sebentas, desabafa com eles (ou com a Corino?) e ouve-os a eles também.
Porque, no final, o objetivo de todos é o mesmo, e é muito mais fácil se tentarem lá chegar em conjunto.

2 – Relativiza

As notas são meros cálculos.
Quantos acham que uma avaliação de uma hora e meia reflete o esforço e valor de todas as pessoas?
E este monstro de cadeira que parece engolir todas as outras é só uma das 60 que (pelo menos) terás de fazer. É apenas mais um dos passos.
Não vale a pena as lágrimas, não vale a pena a exaustão, não vale a pena o desespero, porque isso só faz mal a ti. E não há nenhuma nota que vá decidir quão bom médico veterinário virás a ser.
Por isso, em vez de te exigires números, exige apenas o melhor de ti. Porque em clínica, no campo, no laboratório, o que mais te vão pedir não é a tua média, é que faças isso mesmo.

3 – O melhor de ti não é o teu máximo

Infelizmente, a nossa profissão é das que tem maior taxa de suicídio, pelas mais variadas razões. Desde o início que é notória a resistência emocional que este curso requer de nós, e a resistência é algo que se ganha (como as bactérias, estás a ver?) ao longo de semanas, ao longo de meses, ou ao longo de anos.
Mas é um progresso individual e pessoal e muitíssimo variável.
O que não te afetou hoje pode afetar-te para a semana, e isso não te torna mais fraco do que eras na semana anterior.
Além disso, se estás aqui para melhorar a saúde animal, como é que podes fazê-lo se já não consegues dar o melhor de ti, se já estás tão exausto de dar sempre o teu máximo que o que consegues dar é muito inferior ao que sabes ser o teu melhor?
O nosso ambiente está sempre em mudança, e nem sempre as coisas são tão fáceis ou difíceis como eram antes, nem sempre aquelas horas vão chegar para aquele rendimento porque simplesmente nesse dia as circunstâncias não estão assim. E nem sempre os exames vão correr bem. Mas isso não é razão para esmagares o que faz de ti tu apenas para dares um dos passos.
Porque um dia, no final dos passos, o que te faz tu vai ser urgentemente necessário. Não o gastes agora.

4 – Sim, és bom o suficiente para isto

Toda a gente sabe que pensamos e julgamos sempre mais os nossos erros do que os outros.
Ok, trocaste aquela espécie de parasita com o outro. Pronto, esqueceste-te do que é que constituía a tríade portal. Deixa lá. Agora já não te voltas a esquecer. Agora tentas outra vez.
E não é por um, dois, três semestres estarem a ser difíceis que significa que não mereces estar aqui.
Porque se estás, por alguma razão é.
Se duvidas, passa na clínica e faz festinhas a um cão que está a chorar porque está sozinho. Percebe que não é esta época de stress e pressão que define se mereces ou não a responsabilidade de ter vidas na mão, até porque provavelmente nunca vamos merecer. Aquilo que o vai definir é como depois olhas para trás e pensas, «podia ter feito isto de forma diferente» ou «não valeu a pena ter passado por tanto sofrimento só em antecipação».
Essa insegurança, esses nervos, são o teu pior inimigo. E acredita, num curso destes, só fica mesmo quem o quer. E é esse o requisito para o merecer. Por isso, não deixes essa desconfiança em ti atraiçoar-te. Porque mesmo que nunca estejas 100% confiante de nada (mas também, quem é que está?) podes estar confiante de que, se escolheste ficar aqui, é porque a Veterinária precisa de ti.

5 – Lembra-te do porquê

A última e talvez a mais importante.
Houve um motivo para escolheres a Medicina Veterinária e até agora não a deixares. Há um motivo para não desistires nunca. Esse motivo é pessoal, cada um tem o seu.
Seja qual for o ramo que acabes por escolher, todos têm algo em comum: todos têm nas mãos a responsabilidade de cuidar de vidas que, num planeta que nós dominamos, não conseguem cuidar de si sozinhas. Se não formos nós, não é mais ninguém. Porque eles não se tratam sozinhos (embora as mezinhas tradicionais com plantas não sejam exclusivas ao cérebro humano), e porque sem eles haveria um nós muito mais pobre. E, se formos pensar bem, nós nem os merecemos em primeiro lugar.
Enquanto escrevia isto, o meu cão levantou-se e veio deitar a cabeça no meu colo, para eu lhe dar um abraço e parar de escrever porque não lhe dou atenção há horas. E para eu me lembrar do meu porquê.
O nosso porquê é porque estamos a aprender a ser o melhor que podemos ser para eles, porque eles merecem esse nosso melhor. Em todas as vertentes. Porque o objetivo final é criar um mundinho mais confortável para cada um deles, dentro deste mundo acelerado que nós, enquanto Humanidade, criamos e ao qual eles se tiveram de adaptar. Acho que não é pedir muito que nos adaptemos às químicas e fisiologias para os compensar.
O outro porquê é este:

caes


Texto por: Rafaela Rafael