CAVE 45 E UMA HISTÓRIA DE AMOR

Água solta
É palavra infinita
Surdo corre
Na surdez ilícita
Câmara cai
O filme imperfeito
Rosto sumiu
Deu aperto no peito
Viva la revolucion!
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Venho contar uma história, que após o início fugaz e atencioso da raiz do amor, este foi consumido pelo conformismo e conforto, voltando-se então, o artista x para as aventuras forasteiras que rapidamente se consumam.
Esta meta é encarada por três entidades, personagens:
X, Y e Z.
Como qualquer clichê romântico, enfatizado por cheiros e sabores distintos e harmoniosos que se manifestaram na primeira vez que se viram x e y. Nesse fatídico dia, os seus olhares se tocarem, numa explosão meta-atómica, apaixonaram-se, perderam-se desde a Ribeira à Foz, da Sé aos Aliados, da Boavista às Antas. O amor no seu estado epopeico.
A relação foi amadurecendo e a paixão ardente foi sendo ocupada pelo amor eterno.
Y adorava o interesse pela cultura que caracterizava a sua metade e ficou devastada quando sentiu essa faceta desaparecer.
Gradualmente, x deixou de olhar para y da mesma forma, não desistia da relação porque esta o reconfortava, mas passou a prezar a companhia de z com outra vivacidade.
Enquanto X e Z se aventuravam e se conheciam, brotando uma intimidade estimulante, y ficou esquecida… e as energias e particularidades de x ficaram voltadas, quase exclusivamente, para z.
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O bar de cariz cultural, local de convívio que alojou mais de 500 concertos, vai dar por terminada a sua carreira, voltando-se para o negócio dos hostels.
Na rua das oliveiras, os portuenses embebedaram-se com a musicalidade da Cave 45 e agora vêem o seu abrigo dar asas a outro tipo de abrigo, este voltado para os turistas.
O Porto é gracioso em consequência da sua cara metade (nós, portuenses) e não se deve esquecer das necessidades desta.
Naturalmente, as pesadas pensões levam locais magistrais a trocarem Y por Z, por causa da rentabilidade das mesmas.
Os viajantes são essências na emancipação da grandiosidade da cidade, contudo, a excessiva de comercialização vai remover a magia e arrastar a banalidade iletrada.
Não roubem o Porto do Porto.
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A relação foi ameaçada, mas resistiu.
X percebeu o erro que estava a cometer, estabeleceu uma amizade saudável com Z e voltou a abraçar calorosamente Y.
Viveu-se assim o amor eterno

Texto por: Bruno Soares

(Nota de publicação: É de referir que, o site da Corino estava suspenso, derivado a problemas técnicos. o artigo foi postado no blog, posteriormente ao post no facebook.)